Logo em seu álbum de estreia, o “Canções de apartamento”, Cícero impressionou a todos com seu poder
incrível de lançar boas canções, muito bem compostas, cantadas, produzidas. Ali
surgia um dos grandes nomes da chamada “Nova MPB”, assim como surgia também a
grande responsabilidade de lançar álbuns que superassem o primeiro. “Sábado” não fez isso, e o mais recente,
“A praia”, também não o faz, mesmo
que por pouco.
Podemos considerar que esse terceiro álbum do compositor
carioca é melhor que o segundo mas a sensação de não superação do primeiro
lançamento é grande, a impressão que dá é a de que Cícero faz um disco mais
raso, mesmo com possibilidades de uma exploração mais forte de instrumentos e
letra, mas nem por a obra não nos cativa como gostaríamos ou não nos emociona
como esperávamos, pelo contrário, não há dúvida, este é o encerramento de uma
trilogia, Cícero impôs sua identidade!
Essa relação é explícita logo de início com “Frevo por acaso
nº2”, continuação da faixa de encerramento do último álbum. Seguida pela
romântica canção que dá nome ao disco, com uma letra linda e arranjos que
crescem de forma fantástica, muito bonita. “Camomila”
e “De passagem” são cativantes, com
frases que grudam na mente (ou nos status de perfis online alheios...).
Partindo para uma relação mais ligada ao primeiro disco,
ouvimos “O bobo”, uma festa, recheada daquele clima fantasiado, que continua,
com a mais bonita “Soneto de Santa Cruz”. “Isabel (Carta de um Pai Aflito)”, é interessante, a mais diferente do álbum,
mais inovadora, um outro clima, apesar da letra lembrar o álbum de estreia.
Voltando àquela ideia das frases, “Albatroz”
se faz excelente: “... O dia alaranjou”.
Luiza Mayall, canta a breve, mas lindíssima, “Cecília e a Máquina” (lembra de “Cecília e os balões”?), que antecede “Terminal Alvorada”, a última faixa, que
por sinal, encerra o álbum com combinações incríveis, nos leva de volta ao início do próprio
disco e nos dá um belo verso (“...Faz
um tempo eu não sei o que é saudade.”). “A Praia” nos remete ao começo da carreira promissora
de Cícero.
NOTA: 9/10