Matei uma pessoa! Mas não precisa levar a sério, foi online.
E, talvez como ato de dó, antes do crime até aplaudi o espetáculo que a pessoa,
agora morta, me proporcionou.
Nessa história existem quatro tipos de aplauso, o primeiro,
de décadas atrás, foi motivado pela surpresa, pela novidade, a primeira vez que
acompanhei as cenas de perto, toda aquela bela interpretação, personagens cativantes,
fortes. Quem me viu aplaudindo aquele teatro deve ter ficado intrigado, não era
o mesmo de antes, de uma hora pra outra fui de crítico e metódico à hipnotizado
e ingênuo. Ah, quem dera não ter passado
em frente àquela peça...
O segundo, foi mais lúcido, o transe estava se dispersando, voltei
ao meu estado normal. Foi um aplauso por educação, aquele que não é acompanhado
por um “bravo!”. Não significa que já
estava de saco cheio daquela merda, isso aconteceu no terceiro ato, quando aplaudi
por solidariedade, sem muita consideração apenas um pouco de dó. Mas deixei bem
claro: “mais alguma objeção?” - afinal,
é um disparate o aplaudido não se contentar e pedir mais.
O tempo passou, já estava em outros cantos, escrevendo,
tomando meu café, ouvindo Jorge Drexler, e me chega outra vez a criatura, de
maneira disfarçada, querendo vender ingressos pra um novo ato. Comprei,
assisti, odiei... chutei o balde, resolvi não querer reprises. Aplaudi e matei.
Minha arma: o botão “bloquear”.